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IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL

Reflexões: Domingo de Pentecostes

 


Revda. Dilce Paiva de Oliveira. Paróquia do Divino Semeador

A Festa de Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os discípulos , que

segundo o relato de Atos dos Apóstolos “estavam reunidos no mesmo lugar”. A morte violenta de Jesus havia colocado entre os apóstolos um medo paralisador. Estavam constantemente reunidos planejando os próximos passos e na expectativa de uma manifestação de Jesus Cristo que os motivasse e animasse para seguir seu ministério. Pelos relatos das leituras feitas desde o Domingo da Páscoa, vimos que por mais de

uma vez Jesus “visita” os discípulos, fala de sua presença e os encoraja abençoando-os com a paz. Jesus, por fim, antes da Ascensão promete enviar um “advogado”, um “auxiliador”, que será o atualizador da sua presença. Então, quando estavam todos reunidos, no dia que se celebrava o Pentecostes, como a Festa da Colheita, em que se ofereciam os primeiros frutos em ação de graças a Deus pela produção conseguida, o

Espírito de Deus se manifesta entre eles.

O texto de Atos dos Apóstolos relata que “veio do céu um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram então como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles.” Penso que a expressão “como”, que aparecer nas duas frases é muito importante. Dessa maneira não se aprisiona a manifestação do Espírito em uma forma definida, algo que não pode ser explicado com exatidão, mas somente pode ser comparado. Para mim este pequeno detalhe toma uma grande importância para que possamos entender, ainda hoje, que o Espírito Santo de Deus não pode ser moldado dentro dos nossos padrões de conhecimento, mas sempre poderá nos surpreender, e isto é essencial para que possamos reconhecer, que nem mesmo a Igreja é detentora do

Espírito Santo. O próprio texto de Atos nos relata que todos os que estavam em Jerusalém, das mais diversas origens e nações, entendiam o que os apóstolos falavam em sua própria língua. O Espírito de Deus se manifestava a todos aqueles que criam nele. O segredo da revelação está na fé, em crer em Deus e no amor

de Deus.

“Quando ouviram o barulho, todos se reuniram e ficaram confusos, pois cada um ouvia, na sua própria língua.” O fato de ouvirem em uma mesma língua, embora tivessem origens diferentes, denotava o desejo de ouvir falar do amor de Deus, afinal todos já ouviam falado sobre o que acontecera a Jesus, e como eles, os discípulos, mesmo após tudo o que havia acontecido, ainda estavam dispostos a seguir seu

ministério. Algo maior que o medo e a morte os movia: a confiança no amor de Deus, a todos que nele crêem e a disposição em viver segundo seu Espírito.

Precisamos viver o Pentecostes hoje. Viver movidos pelo Espírito de Deus, por mais que muitas vezes desejemos ser os detentores do poder de Deus. Precisamos reconhecer que o Espírito Santo deseja agir nas nossas vidas, para isso somos agraciados pelo Espírito de Deus, com os mais diversos dons. Mas o

Espírito só se revela verdadeiramente quando nossos dons, sejam eles quais forem, são colocados a serviço de Deus, na construção de uma nova sociedade, onde se viva plenamente a vontade de Deus.

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